Denomina de Karlos Heinz Rischbieter, um dos logradouros públicos da Capital ainda não nominado.

Projeto de Lei Nº 009.00012.2018

           
Projeto de Lei de Helio Wirbiski

Ementa: Denomina de Karlos Heinz Rischbieter , um dos logradouros públicos da Capital ainda não nominado.

Texto: Art. 1º É denominado de Karlos Heinz Rischbieter, um dos logradouros públicos da Capital ainda não nominado.

Art. 2º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

Justificativa: Karlos Heinz Rischbieter, nasceu em Blumenau (SC) no dia 24 de outubro de 1927, filho de Luís Rischbieter e de Helga Ebert Rischbieter. Descendente de imigrantes alemães, seu avô foi o fundador de uma das primeiras fábricas de cerveja em Blumenau, e seu pai foi proprietário de uma confecção de chapéus na mesma cidade.

Realizou os primeiros estudos na Escola Alemã (Deutsche Schule) em Blumenau, transferindo-se em 1938 para o Colégio Santo Antônio após a nacionalização do ensino empreendida pelo ministro da Educação Gustavo Capanema, onde concluiu o científico em 1946. Formou-se em engenharia civil pela Universidade Federal do Paraná (Ufpr) em 1952, na chamada "turma do Ney Braga", referência a seus companheiros de curso que viriam a ocupar postos importantes no governo de Ney Braga no início dos anos 1960, tais como Afonso Camargo e Saul Raiz, entre outros. Depois de formar-se, exerceu a profissão de engenheiro na região norte do estado numa firma de construção civil e, após realizar curso de especialização em concreto protendido em Paris-França em 1959, tornou-se diretor financeiro da mesma empresa até 1961. Em fevereiro de 1962, entrou por concurso público na recém-fundada Companhia de Desenvolvimento do Paraná (Codepar), então presidida por Afonso Camargo, tendo sido chefe do Setor de Análise de Projetos, diretor técnico de investimentos (substituindo Maurício Schulman) e diretor-presidente da empresa (1965), criada pelo governador Ney Braga com o fito de promover o desenvolvimento econômico e industrial do Paraná. A partir de seu trabalho na Codepar, Rischbieter estreitou seus laços políticos com Ney Braga, já então uma das principais lideranças políticas paranaenses.

Em outubro de 1965, com a candidatura e posterior vitória de Paulo Pimentel nas eleições para o governo do Paraná, Rischbieter afastou-se da presidência da Codepar. No mesmo ano, foi nomeado representante do estado do Paraná no Conselho Consultivo de Planejamento (Consplan), a convite do ministro do Planejamento do governo Castelo Branco, Roberto Campos, tornando-se ainda assessor econômico do estado do Paraná e assessor do Instituto Brasileiro do Café (IBC). Em seguida, trabalhou no IBC no Rio de Janeiro, e em julho de 1966 foi para Hamburgo, Alemanha, onde chefiou o escritório do IBC neste país. Nesse período participou de várias negociações internacionais sobre os problemas do café e do comércio internacional, em Londres e em outras cidades européias, adquirindo uma experiência que lhe seria útil posteriormente em sua atividade pública.

Após o término do governo Castelo Branco, em 1967, Rischbieter pediu demissão dos cargos públicos que ocupava e retornou à iniciativa privada, tornando-se diretor da Pafisa Crédito Financiamento e Investimento, e diretor-gerente da Paraná Comércio Administração S.A., holdingde propriedade de Leônidas Bório, ex-presidente do IBC. Exerceu a profissão de administrador financeiro nessa empresa até fevereiro de 1972, quando foi convidado pelo secretário da Fazenda do governador paranaense Parigot de Sousa, Maurício Schulman, para assumir a presidência do Banco de Desenvolvimento do Paraná (Badep). Durante sua gestão no Badep, Rischbieter foi um constante articulador empresarial na Europa e no Japão, e um dos principais responsáveis pela atração de investimentos externos para o estado, dentre eles as empresas Boschi, Volvo, Philip Morris e Siemens, tendo o Badep assumido então papel decisivo no estímulo ao desenvolvimento econômico do Paraná, mormente na implantação da cidade industrial em Curitiba durante a primeira gestão do prefeito Jaime Lerner.

Em 20 de março de 1974, por indicação do ministro da Educação, Ney Braga, Rischbieter assumiu a presidência da Caixa Econômica Federal, posto que exerceu até fevereiro de 1977. Durante sua gestão, a Caixa apresentou uma expansão acelerada, com um crescimento dos depósitos reais de aproximadamente 120%, tendo sido ainda aprovado o Fundo de Assistência Social (FAS), que abriria fontes de financiamento para várias iniciativas de cunho social. Após a crise ministerial causada pelo pedido de demissão do ministro da Indústria e Comércio, Severo Gomes, Carlos Rischbieter foi convidado para assumir, por indicação do ministro da Fazenda do governo Geisel, Mário Henrique Simonsen, o cargo de presidente do Banco do Brasil em substituição a Ângelo Calmon de Sá, que havia sido transferido para o Ministério da Indústria e Comércio. Exerceu o cargo de presidente do Banco do Brasil de fevereiro de 1977 a março de 1979, quando foi nomeado ministro da Fazenda pelo presidente João Batista Figueiredo. Durante sua gestão no Banco do Brasil, defendeu a criação de um Ministério da Economia com o objetivo de coordenar as várias atividades econômicas estatais e racionalizar o "caos administrativo" então vigente nas empresas públicas. Já nesse período, passou a ser conhecido na imprensa por sua postura liberal, tendo sido um dos primeiros altos funcionários do governo a analisar publicamente os resultados das eleições de novembro de 1978, favoráveis ao MDB no centros urbanos.

No Ministério da Fazenda (1979-1980)

Em 15 de março de 1979 tomou posse na presidência da República o general João Batista Figueiredo. Carlos Rischbieter tornou-se então ministro da Fazenda, sucedendo a Mário Henrique Simonsen que havia sido nomeado ministro do Planejamento do governo Figueiredo. Assumindo o Ministério da Fazenda num contexto de aceleração inflacionária, aumento das taxas de juros internacionais, e de ascensão do movimento grevista na região do ABC paulista, seus dez meses de gestão foram marcados por divergências com setores financeiros, e com membros da equipe econômica, sobre as medidas a serem tomadas para a adaptação da economia ao novo contexto interno e externo. Em agosto de 1979, o ministro do Planejamento Mário Henrique Simonsen, defensor de medidas de contenção do gasto público para o ajuste da economia, foi substituído no cargo pelo ministro da Agricultura, Delfim Neto, defensor de políticas expansionistas. Essa mudança na equipe econômica colocou Rischbieter, mais próximo a Simonsen, em rota de colisão com o novo ministro do Planejamento, Delfim Neto. Rischbieter criticou o excessivo endividamento externo do Estado brasileiro, e defendeu uma política de estímulos às exportações e controle das importações, prevendo um quadro "sombrio" caso não fossem adotadas medidas urgentes de ajuste fiscal, das contas externas, e de contenção dos gastos governamentais.

Em 26 de março de 1985, retornou à vida pública, assumindo a presidência do Instituto Brasileiro do Café a convite do presidente José Sarney. Durante sua gestão no IBC, Rischbieter enfrentou protestos de cafeicultores, tendo permanecido no cargo por apenas cinco meses, até agosto de 1985, quando pediu demissão. Segundo a imprensa, o principal motivo foi a forma como o ministro da Indústria e Comércio, Roberto Gusmão, divulgou os resultados da auditoria feita no IBC, sem ressalvar que a atual administração não estava envolvida nas irregularidades apuradas.

Após sair do IBC, retornou definitivamente às atividades empresariais, embora continuasse se manifestando sobre temas econômicos e prestando consultoria para instituições públicas e privadas. Foi presidente da Associação Latino-Americana de Instituições Financeiras de Desenvolvimento (Alide), de 1977 a 1979, e presidente do Conselho Administrativo da Volvo do Brasil S.A. de 1980 a 1994, e da MPM Propaganda S.A. Foi também membro do Conselho Administrativo de diversas empresas nacionais e estrangeiras, como Ericsson, Philip Morris, Artex S.A. (Blumenau,SC), Refripar (Curitiba), Climax (São Carlos,SP), Sicom (São Carlos,SP), Lacta (São Paulo), Fiat Lux (Curitiba), e membro do conselho consultivo da Brasilinvest e do banco Bamerindus (Curitiba).

Em abril de 1996, foi eleito representante dos acionistas minoritários no Conselho de Administração do Banco do Brasil. Nesse período, afastou-se das atividades que exercia em outras empresas e tornou-se membro do Conselho Administrativo da Sadia, da cooperativa Batavo e sócio-proprietário da empresa Franca. Exerceu também a presidência do Instituto Paraná de Desenvolvimento (IPD) e da Aliança Francesa de Curitiba.

Nos anos seguintes continuou a prestar consultoria para diversas empresas e, com menos freqüência, a proferir conferências e entrevistas sobre temas econômicos e políticos para órgãos da imprensa e associações civis. Em março de 2008, após a passagem de seus 80 anos, lançou um livro autobiográfico intitulado Fragmentos de Memória (Travessa dos Editores, 2008), com prefácio do jornalista Mino Carta. Na ocasião, concedeu entrevistas elogiando as linhas gerais política econômica do governo Lula, mas fazendo reparos à excessiva valorização cambial e ao excesso de oferta de crédito de longo prazo para a compra de bens de consumos duráveis, que poderia levar o Brasil a uma bolha de crédito semelhante à ocorrida na economia norte-americana pouco tempo antes.

Foi casado com a engenheira Francisca Maria Garfunkel Rischbieter, com que teve dois filhos. Sua esposa, falecida em 1989, era engenheira da prefeitura de Curitiba e foi uma das responsáveis pela implantação do plano de reurbanização da cidade em 1971. Em março de 1994 Carlos Rischbieter casou-se em segundas núpcias com Rosa Maria Beltrão.

Publicou Paul Garfunkel - um francês no Brasil (edição bilíngüe francês-português, 1992), biografia ilustrada sobre a trajetória artística de seu sogro, e foi tradutor de obras do poeta alemão Rainer Maria Rilke.

Mais informações: http://www.cmc.pr.gov.br/wspl/sistema/ProposicaoDetalhesForm.do?select_action=&popup=s&chamado_por_link&pro_id=353694&pesquisa=karlos%20heinz

 

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